O que será que muda aos 35 anos? Quando eu completei 30 anos eu me fiz essa pergunta. Porque eu tinha acabado de bater os grandes “30” e não tinha sentido nada. Nem um medinho que fosse. Ou um arrependimento muito vital. Tampouco sentia o tempo. Não via suas marcas em mim. Na verdade, me sentia imune a ele. Não temia o passar dos anos. Eu ri dos meus 30 anos, desse grande marco que tantas mulheres temem. Há todo um imaginário popular em torno dessa idade, vamos combinar. 30 is overrated, na minha opinião.

Sentia, sim, calafrios de expectativas. Sentia que minha vida estava apenas começando. Aos 30 anos, eu me via grávida pela primeira vez, prestes a embarcar em uma das aventuras mais incríveis da minha vida. Eu tinha terminado minha residência e especialização e, finalmente, estava consolidando minha carreira médica. Além disso, estava empreendendo e mergulhando, de corpo e alma, em um negócio familiar que me permitia me expressar tão livremente: o Inspire Blog. O futuro sorria pra mim e eu flertava com ele, descaradamente.

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Hoje, eu faço 35 anos. E, diferentemente, dos 30 anos, vejo que o tempo deixou marcas em mim. Tenho uma cicatriz em meu abdômen, de uma bebê nascida da barriga (o meu segundo bebê nasceu de parto normal, uma conquista empoderadora demais para mim), carrego transformações de um corpo que gestou, concebeu e amamentou duas pessoinhas. E eu me orgulho de cada uma dessas transformações, dessas marcas. Inclusive as minhas olheiras e a carinha cansada, comuns a uma mamãe vivendo, plenamente, a infância dos seus pequenos, com todas as suas noites maldormidas e as tarefas inglórias do dia a dia. Eu as abraço com complacência. Na verdade, eu me abraço e me aceito (num abraço mais “fofo”, com menos massa magra que eu desejaria… kkk, mas tudo bem, por enquanto!). Dos 30 anos para cá, eu vivi muitas aventuras, como eu esperava. Os calafrios de expectativa se justificavam. Esses 5 anos me trouxeram gratificantes surpresas e algumas profundas tristezas e frustrações também. Dias de sol e dias cinzentos.

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Antes de fazer 30 anos, eu fiz uma lista divertida de 30 coisas para fazer antes dos 30. A maioria delas eram conquistas materiais e eu consegui grande parte delas. Até os 30 anos, eu já tinha casado com um homem que eu amava muito (casei com 23 anos!), tinha viajado bastante e estava investindo em minha vida profissional. Mas, hoje, 5 anos depois, eu percebo que atingi conquistas mais significativas. Eu viajei menos, acumulei menos bens. Investi menos em minha carreira médica convencional (Aquela jornada de trabalho tradicional de dedicação exclusiva, aquela corrida louca por reconhecimento? Sim, abri mão de tudo isso, temporariamente, para me dedicar à criação – com apego – dos pequenos. E não me arrependo por isso, nem por um segundo). Paralelamente, me permiti dar vazão a outros talentos adormecidos e a abraçar o empreendedorismo, numa carreira alternativa, com esse blog que eu amo tanto! Passei por experiências transformadoras, numa jornada maravilhosa de auto-conhecimento e empoderamento, que eu sinto que está apenas começando.

A maior de todas essas experiências, posso afirmar com toda a segurança, foi me tornar mãe. Como mãe, eu vivencio um amor incondicional e uma entrega sem precedentes. Ser mãe me fez querer ser melhor, para ser um modelo de vida para meus filhos; querer me cuidar mais, para poder estar sempre por perto; querer estar mais em comunhão com Deus, para levar a Ele os meus maiores tesouros. Vivo com eles dias de sol, os momentos mais felizes de toda a minha existência, memórias que vou levar pra sempre em meu coração, todos os sentimentos em suas intensidades e plenitudes, seus paradoxos e seus superlativos. Julia e Mateus, os maiores amores da minha vida.
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Nos últimos 5 anos, também passei por um abismo de decepção. Os dias mais sofridos da minha vida, daqueles de doer profundo na alma, de machucar o coração. Difícil até falar sobre isso. Saí experimentada na dor, mas de alguma forma, mais forte. Mais disposta a me empoderar, a me reerguer, a colocar a vida sob um novo prisma. Venci também uma depressão pós parto (acho que nunca cheguei a comentar por aqui…), estou vencendo desafios de saúde (dentre eles, um tumor benigno de ovário, que já mencionei para vocês)… Tudo isso, me fez colocar minhas prioridades em ordem, repensar minhas expectativas, encontrar novos perspectivas e romper paradigmas. E nisso tudo, eu me voltei ainda mais para Jesus. Nele encontrei abrigo seguro e me encontrei comigo mesma. Em meio às tempestades, eu encontrei paz.

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Eu não senti meus 30 anos, mas eu, com toda a certeza, senti agora os meus 35. A vida me pegou no contrapé e me atingiu de frente. Eu vivi intensamente esses últimos 5 anos, isso eu vivi!
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Mas, na real, eu sou a mesma de 5 anos atrás. Ainda que um pouco mais amadurecida, um pouco mais esperta, menos inocente talvez. Continuo correndo atrás de borboletas e acreditando que há um tesouro no final do arco-íris. Continuo a mesma sonhadora romântica. Esperando a vida se descortinar diante dos meus olhos, enquanto Deus desenha seus projetos para mim. Eu olho para os próximos 5 anos com os mesmos calafrios de expectativa que antes. Pode caprichar, hein, ô vida! E faça o seu melhor, que eu vou fazer o meu. Estou pronta.
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Afinal, o que muda aos 35 anos? Em sua essência, nada.

E pra vocês, o que muda aos 35 anos? O que mudou quando fizeram 30 anos? E o que esperam dos próximos anos? Eu fiz um leve oversharing aqui, então, nada mais justo do que ouvir vocês agora. Rsrs! Me contem nos comentários, sim? (Ah, e podem me dar parabéns também, porque é hoje mesmo o dia do meu niver! E declaro aberta a temporada de declarações de carinho virtual! Hehe!) :D

{Fotos}: Marcela Falci – Eu queria fotos para ilustrar esse post e me dei conta de que faz tempo que eu não sou objeto das lentes, de uma forma especial. Daí, veio a Marcela Falci, com suas Fotos com Afeto e me presenteou com esse mini ensaio. Bastou um passeio pela minha Copacabana, num dia frio e nublado, para eu me ver nessas fotos. Acho que elas retrataram com tanta verdade e delicadeza essa minha fase… Amei, particularmente os tons e nuances. E toda essa fartura de luz! Obrigada, de coração, querida. <3